Last Updated on 27 de agosto de 2026 by Taís Graciadio
Em mais uma edição de seu principal espaço de formação continuada, o Instituto Pe. Vilson Groh (IVG) realizou, no dia 23 de julho, o Seminário de Educadores da Rede IVG 2026, com o tema “Entre Territórios e Esperanças: Quando tecnologia, educação e cidadania fortalecem a justiça social”.
O encontro, que chegou à sua 13ª edição, reuniu 240 inscritos entre educadores, profissionais e organizações da sociedade civil da Grande Florianópolis para um dia de palestras, salas temáticas e trocas de experiências.



Um espaço de formação com 15 anos de história
O Seminário de Educadores é uma das principais frentes da Formação Estratégica Integrada, iniciativa que o IVG mantém desde sua fundação, em 2011, dentro do Programa de Assessoramento – um dos eixos estruturantes da atuação do Instituto, que tece conexões em rede para o desenvolvimento territorial e a transformação da realidade de crianças, adolescentes e jovens em comunidades da Grande Florianópolis.
Por meio de processos contínuos de formação, suporte técnico e articulação, o assessoramento fortalece a gestão, a sustentabilidade e a capacidade de incidência das organizações que integram a Rede IVG e também de associações parceiras que vão além dela.
Os números mostram a dimensão desse trabalho: mais de 8.300 horas de assessoramento técnico e formações já foram realizadas, alcançando mais de 4.700 pessoas desde 2011.






O tema de 2026: tecnologia, educação e justiça social nos territórios
A edição deste ano propôs uma pergunta para quem atua na educação popular: como a tecnologia, a educação e a cidadania podem fortalecer a justiça social nos territórios? Para explorar essa questão, a programação combinou palestras no teatro com salas temáticas de aprofundamento, ampliando o diálogo sobre popularização da ciência, letramentos digitais, direitos humanos e os impactos da vida digital nos processos educativos.
Na abertura, Padre Vilson Groh, presidente do IVG, convidou o público a olhar para os territórios como espaços formativos vivos, onde educação, cidadania e esperança se constroem nas relações cotidianas.
Ao trazer a memória de Dona Claudete, liderança do Morro do Mocotó, Vilson ampliou a própria ideia de tecnologia para além dos dispositivos digitais – destacando que os territórios também produzem tecnologias sociais e ancestrais, presentes no cuidado, na escuta e na solidariedade.
Sobre a inteligência artificial, reforçou o desafio de preservar a autoria, a criatividade e o pensamento crítico entre adolescentes e jovens.






Um dos momentos mais destacados pelo público foi a palestra do fundador da Escola Aberta do Cuidado, Rodrigo Carancho. Partindo de experiências pessoais e das histórias de Dona Zefa da Guia e do povo Guarani, Carancho apresentou a escuta como uma verdadeira tecnologia de cuidado e propôs três princípios diante das transformações trazidas pela inteligência artificial: responsabilidade, humildade e cuidado.
À tarde, a mesa “Como formar sujeitos críticos em tempos de IA?” reuniu Lúcia Dellagnelo, Lúcia Santaella e Nelson Pretto para discutir os impactos da inteligência artificial na educação.
Santaella chamou atenção para as desigualdades de acesso e infraestrutura que atravessam a educação brasileira, defendendo a formação de literacia e autogovernança cognitiva diante da IA generativa.
Pretto ampliou o debate relacionando tecnologia, desigualdade social e soberania digital, defendendo que proibir o uso de celulares e inteligências artificiais não responde aos desafios da educação – o caminho é compreendê-los e construir de forma crítica os sentidos de seu uso.






Salas temáticas e IVG Talks: aprendizado em grupos menores e em rede
Novidade desta edição, as salas temáticas ampliaram as possibilidades de diálogo em pequenos grupos, sob a mediação de educadores e especialistas convidados:
- Formação de educadores em STEAM, tecnologia e impacto social, com Jeff Lima (Prototipando a Quebrada);
- A tecnologia do brincar e do aprender – letramentos na era digital, com Monica Fantin, Lizyane Locatelli e Carolina Guntzel (UFSC/NICA);
- Garantindo direitos: à tecnologia e na tecnologia, com o conselheiro tutelar de Florianópolis, Gilberto Rateke;
- Educação aberta <> hackeando a educação, com Nelson Pretto (UFBA); e
- Impacto da tecnologia e da vida digital no processo educacional, com o coordenador do Pré-Vestibular da Rede IVG, Welly Chang.






O Seminário também abriu espaço para que as próprias organizações da Rede IVG compartilhassem suas experiências, no formato IVG Talks: Tecnologia Social na Rede IVG.
- O CEDEP apresentou sua Matriz de Desenvolvimento Integral, ferramenta construída coletivamente para acompanhar crianças e adolescentes a partir de seis dimensões – intelectual, física, emocional, social, cultural e espiritual.
- A Marista Escola Social Lúcia Mayvorne mostrou como a articulação entre áreas do conhecimento funciona como tecnologia social capaz de conectar sujeitos, saberes e práticas educativas.
- Já o próprio Instituto Pe. Vilson Groh apresentou uma experiência de fortalecimento do sentimento de pertencimento entre as pessoas que integram a Rede, construída a partir de encontros integrativos entre equipes e organizações.






Parceria com o MCTI – Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
A realização do Seminário também é fruto de parcerias construídas ao longo dos anos. A Família Tagliari apoiou a alimentação oferecida aos participantes, enquanto o Centro Educacional Menino Jesus (CEMJ) cedeu gratuitamente sua estrutura, com o teatro recebendo palestras e as salas de aula acolhendo as atividades temáticas. A edição de 2026 contou ainda com financiamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).


