Last Updated on 17 de março de 2026 by Luiz Viana
A saúde de uma mulher vai muito além do bem-estar físico. Ela é construída nos afetos, na escuta, no sentimento de pertencimento e na força da comunidade. Foi exatamente com essa visão ampliada de cuidado, que o Centro Cultural Anastácia (CCA), organização que integra a Rede IVG, promoveu um encontro transformador.
Na última quinta-feira, dia 12 de março, a Casa de Acolhimento Darcy Vitória de Brito, foi espaço para a Oficina Vozes Mulheres. Um momento dedicado a meninas e mulheres, que buscou trazer à tona, discussões no campo da saúde feminina e da vida coletiva.



Do “Eu” Indivíduo ao “Nós” em Comunidade
Conduzida de forma acolhedora pela enfermeira Alexandra Marques, a oficina propôs uma reflexão profunda sobre o que realmente significa ser saudável.
Durante o encontro, o debate ultrapassou as definições clínicas tradicionais e adentrou o campo dos desejos, da identidade e dos afetos femininos. A proposta central foi entender a relação do “eu” (o indivíduo em seus desejos) para o “nós” em comunidade.



Um Diálogo com a Literatura
O nome da oficina não poderia ser mais apropriado. Ele nos remete diretamente ao célebre poema “Vozes-Mulheres”, da aclamada linguista e escritora brasileira Conceição Evaristo. Em sua obra, Evaristo fala sobre como a voz das mulheres negras, antes silenciada e contida em lamentos, ganha força através das gerações, até se tornar um grito de liberdade e vida no presente.
A ação na Casa Darcy Vitória de Brito reflete exatamente esse conceito de “escrevivência”, criado pela escritora, que aglutina a palavra “escrever” e “viver”, definindo uma escrita que emerge da experiência, vivência e subjetividade, especialmente de mulheres negras, assim, demonstrando a importância de as mulheres contarem e viverem suas próprias histórias juntas.



O Papel da Rede IVG e do CCA
Ações como a Oficina Vozes Mulheres reforçam o compromisso do Centro Cultural Anastácia e da Rede IVG com a dignidade integral. Manter a Casa de Acolhimento Darcy Vitória de Brito não é apenas sobre oferecer um teto, mas sobre reconstruir identidades, fomentar saberes e garantir que a saúde, em sua forma mais plena e coletiva, seja um direito exercido todos os dias.

