Last Updated on 30 de outubro de 2026 by Lucano Brito
As formas como as periferias são retratadas pela imprensa, os desafios de acesso à universidade e as perspectivas de inserção no mundo do trabalho estiveram entre os principais temas do 3º Fórum das Juventudes do Programa Pode Crer. Realizado na terça-feira (27), no CEDEP, o encontro reuniu adolescentes e jovens de diferentes organizações da Rede IVG para refletir sobre direitos, oportunidades e perspectivas de futuro.



A programação contou com a participação da jornalista Gabriele Oliveira e do médico Bruno Eulálio Santos, que compartilharam experiências pessoais e profissionais para abordar questões como discriminação, educação, sonhos e dignidade.
Periferias e o direito de contar a própria história
A maneira como os grandes veículos de comunicação representam as periferias foi um dos pontos centrais da participação de Gabriele Oliveira. A jornalista discutiu como a associação recorrente desses territórios à violência, à pobreza e à insegurança contribui para a reprodução de estigmas e para o apagamento de outras realidades.
Durante sua fala, Gabriele abordou os conceitos de estigmatização e epistemicídio cultural, destacando como conhecimentos, experiências e saberes produzidos nas periferias são frequentemente desvalorizados ou invisibilizados.
Como contraponto a essas narrativas, apresentou experiências desenvolvidas junto ao Desterro, portal de notícias de Florianópolis dedicado ao jornalismo investigativo e comunitário. O trabalho busca contribuir para a construção de narrativas que reconheçam os moradores das periferias também como produtores de conhecimento e protagonistas de suas próprias histórias.



Educação, trabalho e diferentes caminhos para o futuro
O acesso à universidade e os desafios da entrada no mundo do trabalho orientaram a conversa com o médico Bruno Eulálio Santos, que compartilhou experiências de sua trajetória, métodos de estudo e reflexões sobre as escolhas que acompanham a passagem da adolescência para a vida adulta.
Ao abordar histórias de amigos que seguiram caminhos diferentes do ensino superior, Bruno trouxe ao debate as múltiplas possibilidades de construção de uma trajetória profissional, ressaltando a importância da persistência nos objetivos pessoais.
A conversa também trouxe uma reflexão sobre o significado da dignidade para além da condição financeira. Mais do que o acúmulo de recursos, a discussão considerou a importância das oportunidades, das escolhas e das condições necessárias para construir uma vida com sentido e perspectivas de futuro.



Juventudes na condução do encontro
Além de participar das discussões, os jovens também tiveram espaço na organização e condução do Fórum. Três educandos do Programa Pode Crer compartilharam suas reflexões e ficaram responsáveis por apresentar os convidados e acompanhar o desenvolvimento das atividades.
A abertura contou com falas do coordenador de projetos sociais, Gelson Nezi, e do presidente do Instituto Pe. Vilson Groh (IVG), padre Vilson Groh.





